Roubar a atenção das pessoas

10/Set/2020

Roubar a atenção das pessoas

Sempre fui muito ansioso quando ia para festas com muitas pessoas desconhecidas. Fico antecipando uma dificuldade de me enturmar e encontrar pessoas interessantes e ser uma pessoa interessante para as pessoas que estão lá.

Essa insegurança sempre me acompanhou, mas depois de ter lido livros sobre networking comecei a entender que isso nada mais é do que um fantasma que colocamos em nossa cabeça. É um medo exacerbado de rejeição.

Na prática, estamos todos no mesmo barco, entramos num ambiente social para interagir com os nossos pares, para nos entretermos, conhecermos novas pessoas e aprendermos coisas novas. Se isso não fosse verdade, todo mundo só faria evento pequeno e privado.

Isso não quer dizer que não podemos ser rejeitados. Existe risco de encontrar alguém ainda mais inseguro ou de encontrar alguém cujo “santo” não bate, mas, com certeza, esses não são os casos gerais.

Pulada a etapa do medo de se aproximar, a próxima etapa é entrar em uma roda de pessoas, descobrir o assunto e participar dele puxando o papo para uma direção na qual você pode contribuir.

O objetivo aqui não é você ser o centro das atenções, ninguém suporta gente muito autocentrada. O objetivo precisa ser você contribuir para a vida das pessoas na qual se aproxima.

Se algumas pessoas se empolgam e insistem em seguir a sua narrativa, possivelmente você pode então se separar da roda original e trabalhar uma roda ainda mais especializada e voltada para a sua forma de ver o mundo.

A comunicação digital nas redes sociais não é muito diferente de tudo isso. A lógica é a mesma, só que as ferramentas digitais permitem que essas rodas possam se tornar imensas.

Digamos que as pessoas não estão consumindo hoje seus conteúdos e que talvez nem saibam que você existe. Como é que elas vão descobrir o que você faz e como você transforma o mundo? A impressão é que você foi para um canto e começou a falar com as paredes.

Só existe uma maneira: a atenção dessas pessoas precisa ser conquistada. De alguma maneira, essas pessoas precisam receber sua mensagem mesmo não tendo pedido por ela. Isso quer dizer que precisamos expor algo interessante em algum lugar onde elas já estejam consumindo conteúdos.

Na analogia de uma festa, é basicamente a estratégia de entrar em alguma roda e agregar valor para ela comunicando algo que envolva.

E isso pode ser feito na Internet, participando nos comentários de posts, fazendo conteúdos respostas. É a coisa mais natural que te autoriza a entrar nas conversas e contribuir.

Alternativamente, é possível incentivar alguém, já com uma roda ativa, para te apresentar ou “pagar” para o “dono da festa” (facebook, instagram,...) te apresentar.

Roubar a atenção das pessoas não é nada mais do que isso, encontrar uma maneira de envolver as pessoas e conduzi-las para a sua forma de ver o mundo, mostrando como isso pode ser bom para elas.

Conquistada a atenção, o desafio agora é se manter interessante. É descobrir a sua maneira única de encarar a vida que faça as pessoas quererem te ter como amigo.

Ou seja, se você conseguiu trocar contatos ou entrou em algum grupo on-line, agora você pode considerar essas pessoas como parte de uma audiência que já conhece você.

  • Fábio Ferrari Fábio Ferrari