A ideia é se renovar sempre

30/Set/2020

A ideia é se renovar sempre

No nosso imaginário coletivo, a vitória vem porque persistimos tenazmente no que estamos fazendo até a conquista. Entretanto, o que não costumamos pensar quando falamos nisso é que não fazemos isso de forma contínua e da mesma forma todo dia, e sim fazendo ajustes de todos os tamanhos a cada dia para conseguir atingir o objetivo.

A gente não desiste porque cansa, a gente desiste porque encontra um obstáculo, ou porque percebe que o esforço atual está gerando pouco resultado, e a resiliência vem exatamente na maneira na qual escutamos o feedback dos nossos esforços e o ajustamos para a direção que queremos.

Entendemos o enfrentamento dos nossos desafios na vida como uma maratona, mas curiosamente não tentamos mimetizar toda a estratégia que um maratonista executa para conseguir vencer o desafio.

Cada maratonista conhece seu corpo, sua resistência e sua velocidade, e usa esse conhecimento para aplicar a intensidade necessária para cada fase da prova. Tanto que geralmente não se esforçam significativamente no começo e focam em manter uma cadência equilibrada que reserve energia para os desafios de subidas e de eventual sprint no final.

Talvez a parte ainda mais estratégica é no meio da prova. Nesse momento, começa o jogo de xadrez tentando levar os oponentes para fora da cadência saudável deles, com a intenção de os desestabilizar na fase final da prova.

Aí nessa parte final só sobra o desafio de segurar a energia de reserva do sprint para o momento mais próximo da faixa da vitória.

O ponto é que as condições da prova, tanto os oponentes quanto as condições de relevo e clima, são obstáculos que não dependem de decisões nossas, na qual o que resta é descobrir como responder, a cada momento, conforme observamos o que está acontecendo.

Da mesma forma, temos que levar esta metáfora da maratona para os nossos projetos e para a nossa própria vida.

Os obstáculos e os feedbacks que aparecem não são algo de nosso controle direto, são sinais do que o universo responde com base nas ações que praticamos, e o nosso papel é aprender a escutar e continuamente experimentar novas estratégias e maneiras de conquistar os nossos sonhos.

Receber críticas, ou ver os projetos não darem resultado, não podem se tornar um tormento que questionem nossa capacidade. Eles não podem ser instrumentos que podem nossa iniciativa de buscar experimentar, aprender e crescer.

Entretanto, o comum é que recebamos estas críticas como algo que desvalorize o que nós somos, e que entremos numa autocrítica que mais limita a nossa criatividade do que ajuda.

Curiosamente, o que precisamos é exatamente isso, abrir nossas percepções e escutar o nosso instinto para descobrir maneiras diferentes de dar a volta nos obstáculos que vemos na frente. E para isso temos que impedir a sabotagem que o cérebro faz de nos colocarmos como incapazes.

Precisamos, ainda mais, de tempo livre, de fazer coisas diferentes, passear, ler... Tudo o que possa arejar nossas percepções e nos dê energia e ideias de como enfrentar os nossos desafios.

A vitória só vem da nossa habilidade de aprender e se adaptar ao ambiente, e não pelo uso insistente da idealização inicial.

Será que você não precisa parar de se cobrar de continuar insistindo num caminho, e então se permitir ficar ocioso para, enfim, conseguir escutar o mundo?, é hora de achar as pessoas que você escuta e que escutam o que você fala. É a hora da comunicação real e sincera como o instrumento de criar as conexões que transformarão o seu mundo e o mundo de quem está em volta de você.

  • Fábio Ferrari Fábio Ferrari